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segunda-feira, 11 de julho de 2011

CUIDADOS COM RECEM NASCIDOS

Após o momento mágico do nascimento, quando os cuidados pediátricos imediatos já foram executados, você terá a felicidade de ver e tocar seu bebê. Ele estará em seu colo e este é um momento importante no fortalecimento do vínculo mãe-filho iniciado durante a gravidez. A presença do pai na sala de parto é importante não só para dar segurança e incentivo à mãe nos momentos que antecedem o parto como também para participar desse acontecimento tão importante para a família. O pediatra ficará ao seu lado, observando as reações do seu bebê, sua cor, sua respiração, sua temperatura e permitirá, sempre que possível, que vocês aproveitem ao máximo este período de conhecimento mútuo tão gratificante. Se o bebê estiver bem alerta, já poderá iniciar a sucção ao seio.
O tempo que o bebê ficará na sala de parto dependerá de suas condições clínicas e das condições ambientais da sala. O pediatra estará alerta ao bem estar de seu filho e a orientará sobre a rotina do hospital. Como é necessário manter a temperatura corporal do seu recém-nascido, ele será trasferido para o berçário, onde ficará em incubadora com temperatura em torno de 32 graus centígrados. O pediatra irá, mais uma vez, conferir a identificação na pulseira e seguirá com seu filho para o berçário. Lá ele será inicialmente pesado e logo a seguir ficará na incubadora por um período suficiente para se recuperar do parto e estabilizar seus parâmetros como: temperatura, respiração, freqüência cardíaca, drenagem de secreções, etc.
Durante este período o recém-nascido passa por 6 estágios de reatividade, que vão do choro gritado ao sono profundo.
O tempo que seu filho ficará no berçário dependerá principalmente de sua estabilização clínica. Tendemos a diminuir o período de separação mãe-filho, liberando o recém-nascido para o quarto ou Alojamento Conjunto tão logo suas condições clínicas o permitam. O ideal é que o recém-nascido vá direto da sala de parto para o Alojamento Conjunto. Em sua permanência no berçário o recém-nascido deve ficar sob observação rigorosa. Serão avaliados o ritmo respiratório, a presença de palidez ou cianose, gemidos, tremores, hipo ou hipertermia, o tipo de choro, os reflexos e a possibilidade de alguma alteração física. Pesamos e classificamos o bebê.
Aspiramos com freqüência as secreções das vias aéreas superiores e fazemos lavagem gástrica com soro fisiológico naqueles recém-nascidos que estiverem com muita secreção gástrica, apresentando vômitos e naqueles que deglutiram sangue ou mecônio.
Instilamos 1 gota de Solução de Nitrato de Prata a 1% em cada um dos olhos da criança, a fim de prevenir a Oftalmia Gonocócica, e aplicamos 1 mg de Vitamina K intramuscular para prevenir a Doença Hemorrágica do recém-nascido. São procedimentos rotineiros e padronizados para todos os hospitais.
Exame físico inicial
O exame físico detalhado do recém-nascido deverá ser realizado entre 6 e 12 horas de vida, quando ele já estiver estabilizado e de preferência nos estágios III ou IV de reatividade (alerta e sem estar chorando). Poderá ser realizado no berçário ou no Alojamento Conjunto, ao lado dos pais, fornecendo-lhes orientações sobre os achados clínicos. Inicialmente o pediatra fará uma avaliação geral do seu bebê olhando a cor da pele, sua postura, classificando-o de acordo com a idade gestacional e o peso de nascimento, observando o estado de alerta, sentindo o tônus muscular, os reflexos e o grau de nutrição.
Observará a "fácies", as características do olhar e a movimentação dos membros. Notificará se ele já urinou ou evacuou e, só então, prosseguirá com o exame físico detalhado de cada segmento corporal.
  • Pele: observa-se a cor, a textura, o grau de ressecamento, se existem fissuras nas dobras, manchas claras e escuras, o grau de hidratação e a presença de nevus, hemangiomas, vesículas ou pústulas. Observa-se também a distribuição de pêlos e lanugem, o aspecto das unhas, a perfusão das extremidades, o tipo de cabelo e a distribuição do tecido subcutâneo.
  • Cabeça: observa-se a posição da cabeça, sua sustentação e movimentação, as suturas e as fontanelas. Nota-se a conformação do crânio e a distribuição do cabelo no couro cabeludo. Palpa-se o contorno dos ossos do crânio.
  • Olhos: observa-se a posição, a cor, a presença de estrabismos, paralisias e ptose das pálpebras. Examina-se a íris, a conjuntiva e as pupilas. Palpa-se o tônus do globo ocular.
  • Ouvidos: observa-se a implantação das orelhas, a conformação das hélices do pavilhão auricular, o conduto auditivo e testa-se a audição.
  • Nariz: observa-se a forma, as narinas, o aspecto das mucosas, a presença de obstrução nasal e a presença de batimentos das asas do nariz durante a respiração.
  • Boca: observa-se a cor da mucosa, os lábios, a presença de aftas, o aspecto da gengiva e da língua e a possibilidade de haver dentes supranumerários.
  • Faringe: observa-se a cor, sangramentos, fenda palatina, úvula e amígdalas.
  • Laringe: observa-se alterações no tom do choro, a presença de rouquidão e o estridor laríngeo.
  • Pescoço: observa-se o tamanho, a mobilidade, a presença de gânglios e hematomas, e os casos de torcicolo congênito.
Aparelho Cardiovascular
Palpação dos pulsos, ausculta do coração e medição da pressão arterial.
Aparelho Respiratório
  • Inspeção do padrão respiratório, presença de esforço respiratório e cuidadosa ausculta pulmonar.
  • Abdome: observa-se a forma, dimensões, tensão, presença de circulação colateral. Faz-se a palpação superficial e profunda do baço, fígado e rins.
  • Genitais: observa-se a conformação, a presença de corrimento vaginal, sinéquia de pequenos lábios, hidrocele, fimose, etc.
  • Sistema Nervoso: sente-se o tônus muscular, observa-se o estado de reatividade, os reflexos primitivos e o tamanho e consistência das fontanelas.
Problemas no Exame Físico
Pele
  • palidez: é a coloração esbranquiçada dos lábios e da pele. Ocorre em situações em que o recém-nascido está anêmico por perda de sangue, como ocorre, por exemplo, em casos de descolamento de placenta ou em situações em que há hemólise, como em casos de infecção ou icterícia.
  • cianose: é a cor "azulada" da pele, principalmente nas extremidades sob as unhas e nos lábios. Na maior parte das vezes está relacionada com problemas cardíacos ou com dificuldade respiratória.
  • icterícia: é a cor "amarelada" da pele. Significa que o recém-nascido está produzindo um pigmento chamado bilirrubina, que dá este tom amarelado à pele e mucosas. A bilirrubina, quando presente em altos níveis no sangue, atravessa a barreira hemato-encefálica e pode ocasionar problemas neurológicos ao bebê.
  • traumatismos: escoriações, lacerações, edemas, hematomas podem ocorrer como conseqüência traumática de parto natural ou pelo uso do fórceps de alívio. Quando não associados a sinais neurológicos, são de bom prognóstico, necessitando apenas de cuidados locais.
  • eritema tóxico: é uma lesão avermelhada, macopapular, semelhante à picada de inseto, contendo em sua parte central pequena vesícula. É de caráter migratório, aparecendo em algumas áreas do corpo enquanto desaparece de outras. Pode concentrar-se e às vezes estende-se por todo o corpo. A origem é desconhecida, provavelmente associada à alergia de contato ou irritação da pele por roupa e sabões. Desaparece espontaneamente, não necessitando de cuidados especiais.
  • manchas mongólicas: são manchas de coloração arroxeada que se localizam principalmente na região sacral e nádegas sem significado patológico. Estão mais relacionadas com características raciais e regridem espontaneamente nos primeiros anos.
  • hemangioma plano: neoformação vascular que se manifesta por manchas avermelhadas e circunscritas de localização preferencial na nuca, pálpebra, glabela e região supralabial. A maioria regride espontaneamente durante o primeiro ano.
  • milia: são pequenos pontos esbranquiçados ou amarelados, localizados mais comumente no dorso do nariz. Ocorrem em conseqüência de hiperplasia de glândulas sebáceas, por ação de hormônios maternos, e não devem ser espremidos. Desaparecem nos primeiros dias de vida à medida que diminui a taxa de hormônio circulante no recém-nascido.
  • miliaria ("brotoejas"): é um eritema causado pelo aumento de secreção de glândulas sudoríparas. Ocorre principalmente nos locais de maior sudorese, como pescoço, dorso e face de flexão dos membros. O tratamento consiste em usar roupas leves, dar vários banhos por dia para refrescar bem a pele e enxugar bem. Pode-se usar "Pasta d'água".
Cabeça
  • cavalgamento de suturas: é a superposição das bordas ósseas do crânio com o desaparecimento da sutura correspondente. É devida à moldagem da cabeça fetal ao espaço intra-uterino e ao canal de parto. Não necessita tratamento especial, uma vez que regride com o crescimento do encéfalo.
  • bossa serossangüínea: tumefação difusa, edematosa, localizada no subcutâneo do couro cabeludo ou outras regiões correspondentes à apresentação obstétrica. A tumefação não tem limites precisos e é depressível à pressão e não dolorosa. Não necessita tratamento e desaparece em alguns dias.
  • cefalohematoma: tumefação de consistência elástica, bem delimitada, não ultrapassando a sutura óssea por ser uma coleção sangüínea subperióstea. É mais comum sob os parietais, uni ou bilateral, podendo ser reabsorvido, às vezes calcificando-se. Não deve ser submetido a nenhum tratamento, contra indicando-se a punção esvaziadora pelo risco de infecção. Pode ser causa de anemia e icterícia.
Olhos
  • oftalmia neonatorum: é uma conjuntivite que se manifesta nso primeiros 12 dias de vida. É provocada pela contaminação dos olhos do recém-nascido durante sua passagem pelo canal de parto. Os principais agentes são os gonococos, outras bactérias e as clamídeas. A profilaxia se faz pelo método de Credé, que consiste em instilar 1 gota de solução de Nitrato de Prata a 1% em cada olho logo após o nascimento. O tratamento da conjuntivite é feito com limpeza com água boricada e instilação de colírio de antibiótico local.
  • hemorragia conjuntival: clinicamente se manifesta por áreas de hemorragia na esclerótica e é geralmente conseqüente ao esforço de nascimento. É reabsorvida espontaneamente não necessitando tratamento.
  • catarata congênita: é a opacificação do cristalino e apresenta-se como uma mancha esbranquiçada e opaca. ocorre principalmente em casos de infecções congênitas, como rubéola e toxoplasmose. O tratamento é cirúrgico.
  • glaucoma congênito: é uma doença caracterizada pelo aumento da pressão intra-ocular, ocasionando alterações da papila que se manifestam por defeitos do campo visual e diminuição de visão. O glaucoma congênito ou infantil é resultado de anomalias de câmara anterior e caracteriza-se precocemente por fotofobia, lacrimejamento e blefarospasmo. O tratamento é cirúrgico e de urgência. Como o glaucoma, é hereditário e transmite como traço autossômico recessivo. O aconselhamento genético é indicado em caso de se desejar outra gravidez.
Boca
  • pérola de Epstein: são cistos de cor esbranquiçada, contendo células epiteliais e localizadas na linha média do palato. regridem ao final de algumas semanas.
  • calos de sucção: consistem em placas bem delimitadas de epitélio cornificado, que aparecem nos lábios durante as primeiras mamadas. São achados normais, relacionados com a força de sucção, dispensam tratamento e regridem espontaneamente.
  • dentes: às vezes o bebê nasce com dentes supranumerários, que geralmente são pouco aderidos às gengivas. Devem ser retirados pelo risco de aspiração e engasgo.
Abdome
  • hepatoesplenomegalia: corresponde ao achado no exame físico de fígado e baço aumentados de tamanho. Nestes casos o recém-nascido deve ser submetido a exames laboratoriais para se pesquisar a possibilidade de estar com infecção congênita, principalmente sífilis, toxoplasmose, rubéola ou doença de inclusão citomegálica.
  • rins aumentados de volume: devem ser sempre pesquisados, pela possibilidade de malformações e tumores. Nestas situações, todo recém-nascido deverá ser submetido à ultra-sonografia do sistema renal.
Umbigo
  • granuloma umbilical: após a queda do coto umbilical pode aparecer um tecido de granulação avermelhado, com secreção serosa ou hemorrágica escura. O tratamento é feito através de cauterização com lápis de Nitrato de Prata, 3 vezes ao dia, até o desaparecimento do granuloma.
  • hérnia umbilical: resulta da falta de fechamento do anel umbilical. Manifesta-se por tumoração umbilical redutível e indolor. Se não ocorrer regressão espontânea até os 6 anos, indica-se tratamento cirúrgico.
  • onfalocele: consiste num defeito congênito em que as vísceras abdominais, recobertas apenas por fina membrana, expõem-se através de uma abertura na região umbilical e supra-umbilical.
  • onfalite: é um processo infeccioso do côto umbilical que se manifesta por odor fétido, edema vermelhidão peri-umbilical e secreção purulenta no umbigo. Na presença destes sinais, deve-se comunicar imediatamente com o pediatra.
Genitais
  • corrimento vaginal: a genitália do recém-nascido de sexo feminino pode apresentar-se com edema de grandes lábios e corrimento leitoso e, mais raramente, hemorrágico. Isto se deve à passagem de estrógenos maternos para o feto nas últimas semanas de gestação. A hemorragia desaparece em 2 ou 3 dias, e o corrimento em poucas semanas.
  • extrofia de pequenos lábios: é uma achado comum e normal na prematura. Pelo pouco desenvolvimento dos grandes lábios, os pequenos lábios e o clitóris ficam mais expostos e salientes.
  • testículos fora da bolsa: se a gestação não atinge o termo, os testículos poderão estar no abdome ou no canal inguinal e o escroto liso e pouco pigmentado.
  • criptorquia: é uma situação clínica em que o escroto está vazio e o testículo retido em algum ponto qualquer do seu trajeto de descida. Pode ser uni ou bilateral, associado ou não à hérnia inguinal. Se o testículo não descer até 1 ano e 6 meses de idade, deve-se procurar o cirurgião infantil.
  • fimose: é caracterizada pela estenose do ósteo prepucial, o que impede a retração do prepúcio sobre a glande. O tratamento inicialmente consiste em dilatações manuais delicadas do prepúcio e limpeza do esmegma.
Paralisias
  • paralisia facial: durante o choro, o bebê apresenta uma assimetria facial com desvio da comissura labial para um dos lados. Isto acontece porque o outro lado está paralisado geralmente devido à compressão do nervo facial em sua exteriorização no crânio.
  • paralisia branquial: quando o recém-nascido fica com um dos braços estendido ao longo do corpo deve-se pensar em paralisia branquial ou fratura de clavícula. A paralisia branquial é causada pelo estiramento do plexo branquial, em manobras obstétricas que envolvem tração do braço ou do pescoço. Durante a permanência no hospital, seu filho ficará a maior parte do tempo no quarto com você, indo ao berçário apenas quando você solicitar, para troca de fraldas ou alguma avaliação que se fizer necessária. Todos os dias ele será examinado, e o pediatra lhe dará informações sobre o seu desenvolvimento nos primeiros dias de vida. estando tudo bem, seu bebê receberá alta hospitalar juntamente com você, em torno de 24 a 48 horas, quando o parto é normal, e 72 quando cesariana.
  • fratura de clavícula: é a mais freqüente das lesões ósseas que o recém-nascido pode sofrer durante o parto. Nota-se dolorimento, inchaço e, à palpação da clavícula, pode-se perceber crepitações. O tratamento consiste em imobilizar o braço acometido por um período de sete dias.
  • luxação coxo-femural: alguns bebês, ao serem examinados, apresentam dificuldade em abduzir as pernas. Este quadro pode ser decorrente de simples postura intraútero, mas às vezes corresponde a uma luxação coxo-femural; neste caso o bebê deverá ser encaminhado ao ortopedista. No momento da alta hospitalar você receberá um relatório sumário com os dados de seu filho, o papel para registro, e orientações gerais para os seus primeiros cuidados em casa. Existem, no entanto, algumas situações - na maioria das vezes já diagnosticada na gestação - em que o bebê vai precisar de cuidados especiais, ficando assim restrito ao berçário, na unidade de alto risco e não podendo ir ao quarto. Nestes casos os pais são estimulados a visitar o bebê no berçário e se inteirar de suas necessidades. Nestas situações, quase nunca o recém-nascido poderá sair do hospital junto com você, pois ele terá de fazer tratamentos, recebendo alta hospitalar quando sua condição clínica o permitir.
Prematuridade
Após o nascimento, seu bebê será classificado de acordo com a idade gestacional e o seu peso de nascimento. Considera-se idade gestacional o tempo de vida intrauterina. Na mulher o termo da gestação corresponde a 40 semanas ou 280 dias. O peso de nascimento é o primeiro peso obtido no berçário, logo após o nascimento. A maioria dos bebês nasce com idade gestacional entre 37 e 41 semanas inclusive, e nesta situação são chamados de recém-nascidos a termo. Pesam entre 2800g e 3200g e nestas situações serão considerados como tendo peso adequado para a idade gestacional.
Algumas crianças nascem prematuras, ou seja, com a idade gestacional inferior a 37 semanas. Nestas situações o bebê nasce pequeno e frágil, quase sempre com imaturidade funcional dos diversos órgãos, como o pulmão, o fígado, o sistema nervoso, e vai precisar de cuidados especiais no hospital e mesmo depois da alta hospitalar. Quanto menor for a idade gestacional e o peso de nascimento, maiores serão os cuidados necessários para a sobrevivência do pequeno prematuro. Alguns já têm o pulmão bem formado e conseguem respirar; outros precisarão de máquinas que fazem com que os pulmões inflem e possam absorver o oxigênio vital para a sobrevivência. Esses bebês são geralmente tratados em centros especiais para prematuros e, devido à sua fragilidade, são rigorosamente observados e controlados quanto aos seus parâmetros vitais.
A maioria deles tem perda de peso ao nascimento e dificuldade em manter a temperatura corporal. Ainda não desenvolveram o reflexo de sucção e quase sempre precisam ser alimentados por sonda de borracha na qual a dieta, de preferência o leite materno, é introduzida em quantidades delicadas e determinadas pelas necessidades calóricas diárias. Quase todos vão precisar de soro venoso para hidratação e prevenção de hipoglicemia e hipocalcemia, situações clínicas comuns no prematuro. na maioria dos prematuros, o fígado ainda não está com o funcionamento totalmente amadurecido, apresentando deficiência de algumas enzimas responsáveis pela captação e metabilismo da bilirrubina.
Isso faz com com que o recém-nascido prematuro apresente a icterícia da prematuridade, necessitando ficar sob fototerapia, para evitar que a bilirrubina atinja níveis sangüíneos lesivos ao sistema nervoso. outro problema freqüente entre prematuros é o risco e a susceptibilidade às infecções. São crianças extremamente frágeis que além de exigir condutas mantenedoras da vida, apresentam menor defesa a infecções: quando contaminados, as bactérias se espalham com rapidez pela corrente sangüínea ocasionando quadros sérios de septicemia. Este, então, é o quadro da prematuridade. Crianças pequenas, delicadas, muitas delas pesando menos de 1 kg, com imaturidade dos órgãos necessários à sua sobrevivência, necessitando do auxílio de aparelhos e ao mesmo tempo sofrendo com esta "invasão" à sua delicada privacidade.
Crescimento intra-uterino retardado
Algumas vezes o recém-nascido é pequeno, mas não pela prematuridade e sim porque apresentou um crescimento intra-uterino retardado. Algumas doenças maternas como a hipertensão, a má vascularização placentária ou hábitos como o de fumar durante a gravidez, podem ocasionar situações em que o feto não "ganha peso" dentro do útero. Nasce com baixo peso mesmo em gestações com mais de 37 semanas ou, em outras palavras, mesmo tendo tempo suficiente para crescer e ganhar peso dentro do útero.
Esses bebês constituem um outro grupo de risco. Não se comportam como prematuros porque os órgãos já estão amadurecidos, mas apresentam susceptibilidades a certas doenças conseqüentes à situação de sofrimento fetal crônico pela qual passaram durante a gestação, muitas vezes agravada pelo sofrimento fetal agudo que pode acontecer durante o trabalho de parto. São bebês pequenos, com freqüência emagrecidos, "enrugados", com fisionomia de velhos. Alguns deles, devido ao sofrimento fetal, eliminam mecônio intraútero e podem iniciar a respiração aspirando o líquido amniótico tinto de mecônio; ficam susceptíveis à pneumonia de aspiração, que é um quadro grave. Nestas situações é necessário um rápido atendimento na sala de parto.
Essas crianças nascem desnutridas e famintas. Precisam ser alimentadas logo após o nascimento e, como têm tendência à hipoglicemia, geralmente precisam receber soro glicosado intravenoso, a fim de que mantenham estável o nível de glicemia. São também susceptíveis à problemas neurológicos conseqüentes à má oxigenação cerebral e também são menos resistentes às infecções. Assim, vemos que os recém-nascidos de baixo peso, ou seja, aqueles com menos de 2,5 kg, constituem um grupo heterogêneo e com necessidade de cuidados especiais. Alguns são pequenos porque são prematuros e não tiveram tempo de crescer e engordar dentro do útero. São crianças especiais, frágeis e que sofrem principalmente pela dificuldade de se adaptarem à vida extra-uterina, com a pouca bagagem que trazem de dentro do útero.
Outros são pequenos porque sofreram intraútero da baixa oferta de nutrientes, nascem emagrecidos e desnutridos e, embora ávidos pela sobrevivência, têm dificuldades específicas que precisam ser vencidas antes de iniciar seu desenvolvimento.
Filho de mãe diabética
Teremos ainda os recém-nascidos que nascem grandes para a idade gestacional, com mais de 3,8 kg. Podem ser constitucionais quando os pais são grandes, mas muitas vezes são filhos de mães diabéticas ou que desenvolveram diabetes gestacional. São recém-nascidos grandes, obesos, muito corados, mas que, apesar da aparência saudável são muito frágeis e sujeitos a muitas doenças específicas de sua situação clínica.
Podem apresentar hipoglicemia nas primeiras horas de vida, hipocalcemia, icterícia e também problemas pulmonares principalmente porque apesar de serem grandes, muitos são prematuros. Têm bom prognóstico, mas nos primeiros dias de vida necessitam de muitos cuidados especiais.
Icterícia Neonatal
A icterícia é a coloração amarelada da pele e das mucosas, em conseqüência do aumento de um pigmento que circula no sangue e nos tecidos chamado bilirrubina. A bilirrubina é um subproduto da degradação da hemoglobina; quando atinge níveis elevados na circulação sangüínea pode atravessar a barreira hemato-encefálica e impregnar os núcleos da base ocasionando um quadro clínico chamado "kernicterus", que se revela por distúrbios neurológicos, incluindo convulsões e até risco de morte durante a fase aguda. Quando sobrevive, o recém-nascido que sofreu kernicterus pode apresentar seqüelas neurológicas graves como córeoatetose, paralisias, retardo mental e surdez.
Os recém-nascidos que ficam ictéricos nas primeiras 24 horas de vida apresentam maior risco de desenvolver níveis altos de bilirrubinas.
Na maior parte das vezes estes quadros são conseqüentes à situações de Incompatibilidade Sangüínea Materno Fetal, seja pelo fator Rh ou pelos grupos A, B, O. Nestas situações, quando a mãe é Rh negativo e se ela for sensibilizada, poderá produzir anticorpos contra o sangue Rh positivo do feto; esses anticorpos, atravessando a barreira placentária, ocasionam anemia no feto e, após o nascimento, icterícia no recém-nascido. Esses bebês precisam ser imediatamente colocados sob fototerapia, pois os níveis de bilirrubina sobem muito rapidamente e atingem logo níveis considerados lesivos para o sistema nervoso central. Nestas ocasiões, está indicada a exsangüíneo-transfusão para evitar o Kernicterus.
Nos casos de Incompatibilidade Sangüíneo Materno-Fetal pelo sistema ABO, a elevação dos níveis de bilirrubinas é mais lenta e, na maioria das vezes, a fototerapia é suficiente para controlar a elevação das taxas de bilirrubinas. Quando a mãe é Rh negativo e o recém-nascido Rh positivo - se a mãe não foi sensibilizada durante a gestação - ela deverá receber até 72 horas após o parto a imunoglobulina anti-Rh para prevení-la de ser sensibilizada, e assim proteger seu próprio filho. No caso dos prematuros, como já vimos, a causa da icterícia é a incapacidade do fígado em conjugar a bilirrubina, ou seja, em transformá-la num pigmento excretável pelas fezes. Nestas situações, o pequeno prematuro deverá ser precocemente submetido à fototerapia, que na maioria das vezes é suficiente para controlar a elevação dos níveis de bilirrubina.
Distúrbios Respiratórios
O pulmão do recém-nascido é o principal responsável pela sua vida nas primeiras horas. É responsável pela captação de oxigênio e liberação de gás carbônico. Sem o oxigênio os órgãos sofrerão hipóxia, principalmente o cérebro. O funcionamento inadequado do pulmão ocasionará alterações nos gases sangüíneos conhecida como acidose. Várias situações clínicas podem fazer com que o pulmão do recém-nascido não funcione bem.
A mais freqüente delas é conhecida como Taquipnéia Transitória do Recém-nascido. É um quadro não muito grave, reversível nas primeiras 48 a 72 horas de vida. Ocorre principalmente em crianças que nascem de parto cesário e o quadro clínico se manifesta com esforço respiratório leve, traduzido por taquipnéia. Essas crianças deverão ser mantidas em incubadoras com oxigênio até a estabilização do quadro pulmonar, o que ocorre geralmente dentro das primeiras 48 a 72 horas de vida.
Mais grave é o quadro que chamamos de Doença da Membrana Hialina, característica de prematuros e conseqüente à imaturidade do pulmão.
Quanto maior o grau de prematuridade, maior a deficiência de "surfactante", substância protéica responsável pela diminuição da tensão superficial nos alvéolos e que responde pela expansibilidade dos pulmões. Muitas vezes o pequeno prematuro portador de D.M.H deverá ser transferido para uma Unidade de Tratamento Intensivo para ser colocado em um respirador, que manterá a expansabilidade pulmonar até a recuperação do recém-nascido.
Outra situação clínica grave ocorre em decorrência de Sofrimento Fetal Agudo, quando o bebê aspira líquido amniótico impregnado com mecônio e sofre a Síndrome de Aspiração Maciça. É um quadro grave em que a área pulmonar fica comprometida pelo mecônio, diminuindo a troca gasosa e ocasionando acidose e hipóxia. Na maior parte dos casos há necessidade de transferir o recém-nascido para a Unidade de Tratamento Intensivo e colocá-lo no respirador. Finalmente, temos a Pneumonia Congênita e a Pneumonia Intraútero. São situações em que o recém-nascido apresenta um quadro pneumônico adquirido intraútero. Na maioria das vezes, a infecção é adquirida pela via transplacentária, quando a mãe apresenta alguma infecção no final da gravidez, principalmente a Infecção do Trato Urinário. Outra via de infecção é a "ascendente", quando há ruptura da "bolsa d'água" por mais de 24 horas.
São quadros que se manifestam principalmente pelo processo infeccioso, com manifestações generalizadas e não só pulmonares. Esses bebês devem ser tratados com antibióticos e precisam de toda assistência e cuidados intensivos dedicados aos recém-nascidos com infecções graves.
Infecção Neonatal
Os bebês recém-nascidos, em especial os prematuros, estão mais susceptíveis a adquirirem infecções particulares. Muitas são as fontes de infecção para o recém-nascido. Algumas delas são adquiridas intraútero através da placenta e daí a importância dos cuidados pré-natais.
Todas as gestantes devem fazer as consultas pré-natais e todos os exames pedidos pelo obstetra, pois esta é a melhor maneira de proteger o feto de infecções congênitas. Muitas vezes a detecção e o tratamento precoce de doenças infecciosas adquiridas pela mãe vão impedir a contaminação do feto.
Outra importante fonte de infecção intraútero, esta mais na época do parto, é o tempo prolongado de "bolsa rota". Assim, quando a gestante perde líquido amniótico deve comunicar imediatamente seu obstetra, pois devemos sempre evitar situações em que se passem mais de 24 horas de ruptura da "bolsa d'água".
Existem casos especiais, quando o bebê é muito prematuro, que esperamos um tempo maior; mas nestas situações a gestante deverá estar internada e sob rigoroso controle clínico e laboratorial. Durante o parto, o recém-nascido pode se infectar ao aspirar secreções do canal de parto ou se for contaminado com bactéria ou fezes maternas.
No berçário ou em casa, a maior fonte de contaminação para os bebês é a lavagem inadequada das mãos. Mãos mal lavadas são responsáveis por mais de 80% das infecções adquiridas nos berçários e nas residências.
Existem outras fontes como aparelhos, nebulizadores, mamadeiras, etc. Para evitar estas infecções, deve-se sempre estimular a amamentação materna e sempre insistir na lavagem das mãos de todas as pessoas que possam ter contato com o bebê. As vacinas são também importante proteção contra determinadas infecções.

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